Wednesday, May 30, 2007

Karl Rove (ACT)

Karl Rove, mais conhecido como "Bush's Brain", é o spin Doctor por excelência. Tal como qualquer Spin Doctor as suas intervenções são desconhecidas e, na maior parte das vezes, nunca se ouve uma palavra da sua boca.

Das poucas vezes que Karl Rove falou aos média, uma delas foi quando foi questionado se iria para a Casa Branca se Phil Gramm, o candidato que apoiava em 1996, fosse eleito Presidente. Karl Rove respondeu: "I have no interest whatsoever in being in Washington DC. I´m happy right here"

Mas nem sempre as frases do "Primeiro Ministro de Bush" foram tão curtas. Num raríssimo discurso, em New Hampshire, Karl Rove proferiu frases como, "They're for higher taxes. We're for lower taxes," he said during his description of the economy. "They're for more spending. We're for less spending.", sobre os opositores democratas.

Sobre a sempre polémica guerra do Iraque, disse que apoiava toda as decisões de administração Bush (como não podia deixar de ser) e diz que os Estado Unidos da América tinham toda a razão de retirar Saddam Hussein do poder: "We were absolutely right to remove him"

Uma outra forma de comunicar de Karl Rove:


Semelhanças entre "Manobras na Casa Branca" e "Spinning Boris"

O filme "Manobras na Casa Branca"(MCB), embora a temática da manipulação seja a mesma, é um pouco diferente do filme "Spinning Boris"(SB), no que diz respeito às formas de manipulação.

Mesmo assim, existem alguns "truques" em comum:

1 - Tanto Conrad Brean, como os três consultores de Yeltsin, tentam manter-se o mais discretos possível e nenhuma das formas de manipulação é associada a eles. Embora, em SB a forma discreta de actuar seja levada ao limite, sendo várias vezes "avisados" pelos responsáveis da campanha.

2 - Em ambos os filmes são utilizados "Focus-Group". Em SB, é uma forma várias vezes utilizada, através da empresa de sondagens. Em MCB, é utilizada apenas uma vez e porque o Presidente achou ser um discurso demasiado "lamechas", como o próprio diz. A técnica serviu para provar o poder que teria no público Americano.

3 - Ambos os filmes utilizam crianças para mostrar o lado mais humano do Presidente. Em SB, vê-se Yeltsin com crianças ao colo e é lhe dito para as beijar na testa. Em MCB, é utilizada a criança Albanesa, que se dirige ao Presidente quando esta chega no seu avião presidencial.

4 - Ambos os filmes utilizam slogans com referências familiares, como forma de captar a humanidade dos eleitores. Em SB é utilizado o slogan "Para bem dos vossos filhos, votem Yeltsin". Em MCB é produzido o slogan, em código morse na camisola do "Old Shoe", "Corage Mom"

Spin Doctor "Mestre da Manipulação"

A palavra "Spin Doctor" nasceu os anos 80, derivando da expressão "Spin Control". O Spin Doctor é o mestre da manipulação, é capaz de criar factos facto ilusórios para proveito do seu cliente.

As primeiras publicações sobre este novo tipo de assessor de imprensa foram em 1984, após o debate Reagan/Mondale e foram descritos como "A dozen men in good suits and women in silk dresses will circulate smoothly among reporters, spouting confident opinions. They won´t be just prees agents trying to impart a favorable spin to a routine release. They'll be Spin Doctors, senior advisors to the candidates".

A principal arma de um Spin Doctor é a manipulação à base da mentira, da ilusão e da encenação. Um Spin Doctor tem como objectivo criar ou focar factos políticos menores ou meramente virtuais para desviar a atenção daquilo que realmente devia ser discutido.

Spin Doctor - Um grande especialista em fazer toda e qualquer notícia aparecer sob a luz mais favoravel para o seu chefe

Estes mestres de campanha são uma fonte trecedora de factos, com apetite para ler/ver os media noticiosos, reage devido à autoridade e proximidade do seu chefe político e prepara histórias de dispersão, controlando os danos das histórias que não interessam ao governo.

Estas manobras de diversão nunca são descobertas, ou quando são, já serão no final de toda esta estrutura de manipulação for "desmontada". "Quando ficar visível para todos, o que está a ser feito, foi mal feito e com base em pressupostos errados e dados cozinhados, não vale a pena dizerem uns que foram ludibriados, e outros avaliaram mal a situação", porque não há nada a fazer.

"We can´t overcome the capacity of the Spin Doctors to dominate the news because they save so much work by putting stories in our hands"

Contudo, o Spin Doctor nunca se revela como tal, nunca é importante numa estrutura de Governo, por exemplo. A sua função é permanecer na sombra do candidato para quem este trabalha. Vejamos os casos de Karl Rove, nas campanhas de George W. Bush e Conrad Brean no Filme "Manobras na Casa Branca". Há quem defenda que "quando um Spin Doctor passa a ser tão conhecido como quanto o seu chefe, que está na hora de sair". Foi o que aconteceu a Alastair Campbell, Spin de Tony Blair. Para analistas, ele cometeu o pecado mortal de todos os Spin Doctors, ao tornar-se, ele próprio a notícia.

Todo o "Spin Doctor Know how the news media work and, knowing media demandas and routines, seek to enhance favourable news coverage and reduce the impact of negative news" e sabe "tecer uma estória que fique longe da questão substantiva em discussão, levando a atenção dos media noticiosos para uma nova estória, nítida manobra de diversão".

Carrilho VS. Agências de Comunicação

No livro "Sob o signo da Verdade", Manuel Maria Carrilho levanta a questão da regulação das agências de comunicação e do relacionamento que estas têm com a comunicação social, nos dias de hoje. No meio de críticas a jornalistas, empresas de comunicação social e agências de comunicação, a "Cunha Vaz & Associados" é a mais visada.

Com o poder da comunicação social, retratado por José Medeiros Ferreira como "a comunicação social e os jornalistas ocupam nos nossos dias o espaço de influência sobra a opinião outrora exercida pela Igreja e seus sacerdotes". Importa também ter em conta que, segundo o mesmo, "é impossivel ignorar, por exemplo, a existência e o papel das chamadas agências de comunicação".

Segundo Carrilho, Cunha Vaz ofereceu-lhe "para tratar de tudo, insistindo muito em dois pontos da suas oferta: A recolha - obviamente ilícita - de fundos e a compra de opinião "(pag. 38, "Sob o signo da Verdade") , que tudo se comprava e que tinha 6 jornais na mão.

Manuel Maria Carrilho defende a "regulamentação das agências de comunicação", a "definição de um código de conduta e de outros procedimentos".

Portugal é um país que ainda está a dar os primeiros passos, no que diz respeito a consultadoria política, quando relacionado com países como os EUA, onde a comunicação política é levada ao extremo. Logo, será normal ainda não existir legislação que contemple estas agências de comunicação.


Contudo, Luís Paixão Martins, director-geral da "LPM Comunicações", defende "a necessidade de um Código de Ética da Disciplina de Assessoria Mediática" ( Público, 03/10/06), enquanto que Cunha Vaz, visado directamente no caso "Carrilho", declara que "seguimos um código internacional de conduta. Tenho empresas estrangeiras cotadas na bolsa dos EUA e todos os anos tenho auditores na firma a passarem a pente fino os relatórios" (Expresso, 20/5/2006).

Ainda no que se refere à dita polémica e à possível regulamentação destas agências de comunicação, foi possivel ouvir várias opiniões diferentes, mas uma delas será no mínimo duvidosa.

Se as opiniões de Luís Paixão Martins e Cunha Vaz são opiniões de alguém que, até ao momento, estão livres de qualquer suspeita, a opinião de Emídio Rangel é um pouco estranha.

Emídio Rangel, do lado de Carrilho, no célebre programa "Prós e Contras", defendeu que tinha de "haver um escrutíneo para acabar com esta podridão. Pois, esse mundo tenebroso elegeu o Presidente e o Primeiro-Ministro". O que não deixa de ser curioso a tomada de posição de Rangel, quando estamos todos recordados da sua célebre frase: "Com esta audiência, tão depressa vendo bolachas, como a seguir vendo o Presidente da República". Esta frase foi apresentada aos Portugueses num documentário, feito para o Canal Arte, por Mariana Otero, sobre a SIC que na altura era, inexplicavelmente, líder das audiências.

Carrilho perdeu as eleições porque foi, politicamente, mais fraco do que Carmona Rodrigues. Retomando as palavras de Cunha Vaz, ao Expresso de 20 de Maio de 2006, "Por mais bonito que seja o embrulho, quando o produto não presta ninguém o compra" e que "numa sociedade mediatizada como a nossa, a mensagem é importante mas numa campanha tudo depende do candidato. Não há agência que lhe valha".

A regulamentação das agências de comunicação é necessária, mas relembre-se que "são os jornalistas que decidem sempre, mas mesmo sempre, o que é publicado ou não".

Obviamente que, as agências de comunicação, "só veiculam as mensagens que querem e lhes interessam. Tal como os políticos que só defendem as ideias que lhes interessam".

Por todo este texto, a regulamentação das agências de comunicação não iria evitar as críticas de Carrilho, exactamente porque ele iria perder as eleições na mesma.

Foi a derrota nas eleições para a Câmara de Lisboa que motivou o livro e não a regulamentação das agências de comunicação, como Carrilho fez passar no seu papel de eterno injustiçado das eleições autárquicas.

Sunday, May 27, 2007

Spinning Boris

O filme "Spinning Boris" é baseado numa história verídica que relata a vida de três consultores americanos que foram contratado para eleger Boris Yeltsin nas primeiras eleições democráticas na Rússia.

Num país diferente, com uma cultura diferente torna-se difícil, a estes consultores, implementar as suas tácticas, especialmente as campanhas negativas que são muito comuns nos EUA.

Depois de alguma resistência, a líder da campanha (filha de Yeltsin) concordou com a realização dos "truques Americanos", apelidando as tais campanhas negativas.

Deixo aqui alguns exemplos de campanhas negativas utilizadas no filme:

O primeiro exemplo de campanha negativa falada no filme foram os "pelotões da verdade". Consistia em enviar apoiantes de Yeltsin para o comício do candidato adversário para o vaiar. Os consultores deram como exemplo o "Chicken George", que era um indivíduo vestido de galo que foi enviado para os comícios de George Bush quando este concorreu às segundas eleições Presidenciais.

O segundo exemplo foi a de o candidato comunista tentar levar o país para a idade média, voltar às fronteiras antigas, nacionalizar a economia e perseguir os reformistas. Esta informação foi obtida através do imitador de Elvis e embora não se veja a acção realizada no filme, George Gorton enquanto "fala" com seu gravador diz que "era bom que houvesse uma fuga de informação e nós vamos ter de a fazer verter muito"

O terceiro exemplo é o do slogan "Mantenham a Rússia em segurança" que era exibido depois de um comercial televisivo, onde mostrava os comunistas a matar o povo russo em 1917.

O quarto exemplo é o da última sondagem. A sondagem foi "roubada" a Vasso (proprietário da peculiar empresa de sondagens) e foi publicada com uma alteração nos resultados que davam Yeltsin 20 ponto atrás do candidato comunista. Este último exemplo de campanha negativa foi feito pelo "Partido de Guerra" que queriam que as eleições fossem canceladas, com medo que Yeltsin perdesse.

Friday, May 25, 2007

Campanhas negativas na Internet

A Internet ainda não tem um papel fundamental na campanha política, como poderá vir a ter, e neste momento é quase sempre utilizada para espalhar rumores, denegrir o candidato oposto, mas do que promover o próprio.

Em Portugal apenas se verificou um caso de campanha negativa (O caso da alegada homossexualidade de José Sócrates), contudo noutros países, este tipo de campanhas, já vão sendo frequentes. Países como o Brasil e os Estados Unidos são pioneiros nestes tipos de campanhas negativas e a Internet tem ajudado à difusão de mensagens caluniosas sobre os candidatos adversários.

Um estudo, realizado pelo Centro de Altos Estudos de Propaganda e Marketing da ESPM, prova que nas últimas eleições presidenciais brasileiras "a Internet teve um papel especial na divulgação de campanhas negativas"

Fernando Barros, um publicitário Brasileiro, referiu que com a forte capacidade humana para a inovação e adaptação, a Internet poderá tornar-se "uma metralhadora nas mãos de um bocado de meninos", perante a força que esta terá na opinião pública mundial.

Raphael Perret, jornalista, afirma que a Internet poderá tornar-se ma ferramenta mais poderosa de uma campanha. Para ele "a Internet e todos os serviços nela disponíveis tornam-se ferramentas agressivas dentro de um campanha eleitoral".

"A próxima, e potencial mais previsível, zona de expansão na arte de campanhas negativas é a Internet"

Mas as campanhas negativas não se limitam apenas ao cenário político, as empresas estão a começar a aprender a utilizar a Internet para difamar, espalhar boatos e rumores sobre a empresa ou produto concorrente.

No primeiro encontro Luso-Galaico de Weblogs, Enrique Dans referiu que com a "liberdade bloguística, qualquer um pode fazer campanhas negativas, incluídos empresas sobre os seus concorrentes" e que "os motores de busca contribuem para o descontrolo da informação. Ao pesquisar pelo nome de um empresa encontramos a informação institucional, assim como a informação negativa"

No mesmo encontro, Enrique Dans disse também que um simples consumidor pode publicar uma queixa na Internet e esta não fica limitada a quatro paredes como acontecida anteriormente, dando com exemplo o problema que Jeff Jarvis com a Dell. Recorde-se que Jeff Jarvis é BuzzMachine, um dos bloggers mais lidos em todo mundo.

Mais um caso de campanha negativa foi o caso das Presidenciais no México, onde "a Internet está repleta de conotações negativas, críticas e ataques".

Saturday, May 12, 2007

Soundbites

Numa altura onde as campanhas eleitorais são cada vez mais sofisticadas, os soundbites são cada vez mais frequentes e mais poderosos. Sendo o soundbite uma pequena parte de um discurso, estes são colocados propositadamente para criar impacto nos média e assim chegar a todo o eleitorado.

O soundbite que aqui apresento foi proferido por George Herbert Walker Bush, na Convenção Nacional Republicana em 1988. George Bush era, na altura, Vice-Presidente dos EUA e candidato às eleições Presidenciais desse ano.

Com o défice orçamental que imperava na altura, nos EUA, muitos consideravam que o aumento dos impostos era a única solução para o reduzir, por isso, George Bush orientou toda a sua campanha para o não aumento dos impostos.

No discurso da Convenção Nacional Republicana, a frase "Read my lips: No new taxes", ficou gravada como uma dos mais poderosos soundbites da história das eleições Presidenciais Americanas.

"And I'm the one who will not raise taxes. My opponent now says he'll raise them as a last resort, or a third resort. But when a politician talks like that, you know that's one resort he'll be checking into. My opponent, my opponent won't rule out raising taxes. But I will. And The Congress will push me to raise taxes and I'll say no. And they'll push, and I'll say no, and they'll push again, and I'll say, to them, "Read my lips: no new taxes."

O discurso foi elaborado por Peggy Moonan, e embora muitos conselheiros de Bush achassem a frase demasiado forte, inclusive Richard Darman, conselheiro económico de Bush, que a apelidou de "stupid and dangerous"[Greene, John Robert. The Presidency of George Bush. Lawrence: University Press of Kansas, 2000, pag 37], o discurso manteve-se.

Embora não seja possível afirmar que foi o soundbite que fez Bush ganhar as eleições, o que é facto é que, nas sondagens, até ao discurso da Convenção Nacional Republicana, Bush estava consideravelmente atrás de Michael Dukakis, o candidato democrata.

Parque da Cidade como pseudo-acontecimento? (ACT)

O conceito do pseudo-acontecimento nasceu nos anos 60, pelas mãos de Daniel Joseph Boortin, quando escreveu o livro "The Image: A guide to Pseudo-events in America.


O pseudo-acontecimento é, basicamente, um acontecimento fabricado de forma a ter cobertura mediática, onde tem como objectivo fazer publicidade a algo ou alguém, ou desviar as atenções de um outro acontecimento.

Numa conferência, no ISLA de Vila Nova de Gaia, Custódio Oliveira, ex assessor de Fernando Gomes, relatou o pseudo-acontecimento do Parque da Cidade.

Segundo palavras de Custódio Oliveira, o "Parque da Cidade é filho do Buraco do Bom-Sucesso". Não bastando a "grande aldrabice que era o Shopping do Bom-Sucesso", que segundo o mesmo "não tinha licença nenhuma", Fernando Gomes, depois de ser questionado por um jornalista, fez um comentário que deu a entender que pretendia uma cidade de betão armado. Essa ideia da "Cidade de Betão" não sai dos média e havia a necessidade de fazer alguma coisa.

Soluções?

  1. Fernando Gomes deixa de falar aos jornalistas
  2. Arranjar algo que desviasse a atenção dos jornalistas, que contrariasse a ideia da "Cidade de Betão"

A solução encontrada foi o Parque da Cidade, que já estava projectado, mas de maneira diferente do que é hoje. A meio do parque passaria uma enorme avenida e iria existir construções na frente marítima, ideias imediatamente abandonadas. O Parque da Cidade teria de ser o coração da cidade do Porto, em termos de espaços verdes, para contrariar a ideia de que Fernando Gomes queria uma cidade de betão.

Para ajudar à divulgação foram feitas centenas de comunicações, incluindo várias viagens de helicóptero para levar os jornalistas a sobrevoar toda a gigantesca área do futuro Parque da Cidade.

Podemos, então, considerar o Parque da Cidade, tal como ele é, como um pseudo-acontecimento, inserido numa estratégia de comunicação?

Sim, o Parque de Cidade, tal como ele é hoje, foi uma manobra de ilusão, de forma a desviar as atenções da falta de licenciamento do "Bom-sucesso" e da ideia da "Cidade de Betão"