O vai e vem dos assessores, no meu ponto de vista, não só é condenável como o acho deselegante.
Sendo o jornalismo uma profissão baseada na isenção, como será possível um assessor de imprensa estar a “manipular” os seu anteriores colegas sobre determinado assunto e no dia seguinte estar, novamente, ao lado deles?
Obviamente alguns jornalistas (Que já foram assessores) podem afirmar que a imparcialidade mantém-se sempre porque são bons profissionais. Mas será que terão credibilidades, perante os públicos, de tratar de um caso do seu antigo patrão? E se for do oponente do antigo patrão? Obviamente a credibilidade será nula, não só do jornalista mas também do órgão de comunicação social adjacente.
Sou determinantemente contra este vai e vem, pela credibilização do jornalismo e pela afirmação de novos profissionais que são os assessores. Naturalmente os jornalistas são os melhores assessores porque eles sabem o que os media querem, como trabalham, etc. Fazendo uma analogia ao caso do Apito Dourado, seria a mesma situação que Pinto da Costa contratasse um qualquer juiz do Apito Dourado para seu defensor legal. Obviamente esse juiz imediatamente ficaria desacreditado por todos aqueles que seguem o caso.
Para além da credibilidade, que me parece ser o facto essencial da questão, o ex-assessor terá formas de recolha de informação privilegiadas o que o coloca num plano de desigualdade perante os seus colegas e poderá torna-lo mais sensível a “fretes” que poderão surgir dessa fonte. Isto não torna o jornalismo limpo.
Existindo esta grande incompatibilidade entre assessores e jornalistas penso que não deveria haver nenhum período de “nojo”, nem a possibilidade de trabalhar numa outra àrea editorial, mas sim uma impossibilidade de voltar ao jornalismo.
Partilho, portanto, a opinião do Dr Rui Cádima que o ideal seria desmotivar o retorno à profissão, no entanto discordo com o prof. João Paulo Meneses quando fala num bom início. Penso que é um fraco e demorado início para uma situação insustentável.
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