Wednesday, May 30, 2007

Karl Rove (ACT)

Karl Rove, mais conhecido como "Bush's Brain", é o spin Doctor por excelência. Tal como qualquer Spin Doctor as suas intervenções são desconhecidas e, na maior parte das vezes, nunca se ouve uma palavra da sua boca.

Das poucas vezes que Karl Rove falou aos média, uma delas foi quando foi questionado se iria para a Casa Branca se Phil Gramm, o candidato que apoiava em 1996, fosse eleito Presidente. Karl Rove respondeu: "I have no interest whatsoever in being in Washington DC. I´m happy right here"

Mas nem sempre as frases do "Primeiro Ministro de Bush" foram tão curtas. Num raríssimo discurso, em New Hampshire, Karl Rove proferiu frases como, "They're for higher taxes. We're for lower taxes," he said during his description of the economy. "They're for more spending. We're for less spending.", sobre os opositores democratas.

Sobre a sempre polémica guerra do Iraque, disse que apoiava toda as decisões de administração Bush (como não podia deixar de ser) e diz que os Estado Unidos da América tinham toda a razão de retirar Saddam Hussein do poder: "We were absolutely right to remove him"

Uma outra forma de comunicar de Karl Rove:


Semelhanças entre "Manobras na Casa Branca" e "Spinning Boris"

O filme "Manobras na Casa Branca"(MCB), embora a temática da manipulação seja a mesma, é um pouco diferente do filme "Spinning Boris"(SB), no que diz respeito às formas de manipulação.

Mesmo assim, existem alguns "truques" em comum:

1 - Tanto Conrad Brean, como os três consultores de Yeltsin, tentam manter-se o mais discretos possível e nenhuma das formas de manipulação é associada a eles. Embora, em SB a forma discreta de actuar seja levada ao limite, sendo várias vezes "avisados" pelos responsáveis da campanha.

2 - Em ambos os filmes são utilizados "Focus-Group". Em SB, é uma forma várias vezes utilizada, através da empresa de sondagens. Em MCB, é utilizada apenas uma vez e porque o Presidente achou ser um discurso demasiado "lamechas", como o próprio diz. A técnica serviu para provar o poder que teria no público Americano.

3 - Ambos os filmes utilizam crianças para mostrar o lado mais humano do Presidente. Em SB, vê-se Yeltsin com crianças ao colo e é lhe dito para as beijar na testa. Em MCB, é utilizada a criança Albanesa, que se dirige ao Presidente quando esta chega no seu avião presidencial.

4 - Ambos os filmes utilizam slogans com referências familiares, como forma de captar a humanidade dos eleitores. Em SB é utilizado o slogan "Para bem dos vossos filhos, votem Yeltsin". Em MCB é produzido o slogan, em código morse na camisola do "Old Shoe", "Corage Mom"

Spin Doctor "Mestre da Manipulação"

A palavra "Spin Doctor" nasceu os anos 80, derivando da expressão "Spin Control". O Spin Doctor é o mestre da manipulação, é capaz de criar factos facto ilusórios para proveito do seu cliente.

As primeiras publicações sobre este novo tipo de assessor de imprensa foram em 1984, após o debate Reagan/Mondale e foram descritos como "A dozen men in good suits and women in silk dresses will circulate smoothly among reporters, spouting confident opinions. They won´t be just prees agents trying to impart a favorable spin to a routine release. They'll be Spin Doctors, senior advisors to the candidates".

A principal arma de um Spin Doctor é a manipulação à base da mentira, da ilusão e da encenação. Um Spin Doctor tem como objectivo criar ou focar factos políticos menores ou meramente virtuais para desviar a atenção daquilo que realmente devia ser discutido.

Spin Doctor - Um grande especialista em fazer toda e qualquer notícia aparecer sob a luz mais favoravel para o seu chefe

Estes mestres de campanha são uma fonte trecedora de factos, com apetite para ler/ver os media noticiosos, reage devido à autoridade e proximidade do seu chefe político e prepara histórias de dispersão, controlando os danos das histórias que não interessam ao governo.

Estas manobras de diversão nunca são descobertas, ou quando são, já serão no final de toda esta estrutura de manipulação for "desmontada". "Quando ficar visível para todos, o que está a ser feito, foi mal feito e com base em pressupostos errados e dados cozinhados, não vale a pena dizerem uns que foram ludibriados, e outros avaliaram mal a situação", porque não há nada a fazer.

"We can´t overcome the capacity of the Spin Doctors to dominate the news because they save so much work by putting stories in our hands"

Contudo, o Spin Doctor nunca se revela como tal, nunca é importante numa estrutura de Governo, por exemplo. A sua função é permanecer na sombra do candidato para quem este trabalha. Vejamos os casos de Karl Rove, nas campanhas de George W. Bush e Conrad Brean no Filme "Manobras na Casa Branca". Há quem defenda que "quando um Spin Doctor passa a ser tão conhecido como quanto o seu chefe, que está na hora de sair". Foi o que aconteceu a Alastair Campbell, Spin de Tony Blair. Para analistas, ele cometeu o pecado mortal de todos os Spin Doctors, ao tornar-se, ele próprio a notícia.

Todo o "Spin Doctor Know how the news media work and, knowing media demandas and routines, seek to enhance favourable news coverage and reduce the impact of negative news" e sabe "tecer uma estória que fique longe da questão substantiva em discussão, levando a atenção dos media noticiosos para uma nova estória, nítida manobra de diversão".

Carrilho VS. Agências de Comunicação

No livro "Sob o signo da Verdade", Manuel Maria Carrilho levanta a questão da regulação das agências de comunicação e do relacionamento que estas têm com a comunicação social, nos dias de hoje. No meio de críticas a jornalistas, empresas de comunicação social e agências de comunicação, a "Cunha Vaz & Associados" é a mais visada.

Com o poder da comunicação social, retratado por José Medeiros Ferreira como "a comunicação social e os jornalistas ocupam nos nossos dias o espaço de influência sobra a opinião outrora exercida pela Igreja e seus sacerdotes". Importa também ter em conta que, segundo o mesmo, "é impossivel ignorar, por exemplo, a existência e o papel das chamadas agências de comunicação".

Segundo Carrilho, Cunha Vaz ofereceu-lhe "para tratar de tudo, insistindo muito em dois pontos da suas oferta: A recolha - obviamente ilícita - de fundos e a compra de opinião "(pag. 38, "Sob o signo da Verdade") , que tudo se comprava e que tinha 6 jornais na mão.

Manuel Maria Carrilho defende a "regulamentação das agências de comunicação", a "definição de um código de conduta e de outros procedimentos".

Portugal é um país que ainda está a dar os primeiros passos, no que diz respeito a consultadoria política, quando relacionado com países como os EUA, onde a comunicação política é levada ao extremo. Logo, será normal ainda não existir legislação que contemple estas agências de comunicação.


Contudo, Luís Paixão Martins, director-geral da "LPM Comunicações", defende "a necessidade de um Código de Ética da Disciplina de Assessoria Mediática" ( Público, 03/10/06), enquanto que Cunha Vaz, visado directamente no caso "Carrilho", declara que "seguimos um código internacional de conduta. Tenho empresas estrangeiras cotadas na bolsa dos EUA e todos os anos tenho auditores na firma a passarem a pente fino os relatórios" (Expresso, 20/5/2006).

Ainda no que se refere à dita polémica e à possível regulamentação destas agências de comunicação, foi possivel ouvir várias opiniões diferentes, mas uma delas será no mínimo duvidosa.

Se as opiniões de Luís Paixão Martins e Cunha Vaz são opiniões de alguém que, até ao momento, estão livres de qualquer suspeita, a opinião de Emídio Rangel é um pouco estranha.

Emídio Rangel, do lado de Carrilho, no célebre programa "Prós e Contras", defendeu que tinha de "haver um escrutíneo para acabar com esta podridão. Pois, esse mundo tenebroso elegeu o Presidente e o Primeiro-Ministro". O que não deixa de ser curioso a tomada de posição de Rangel, quando estamos todos recordados da sua célebre frase: "Com esta audiência, tão depressa vendo bolachas, como a seguir vendo o Presidente da República". Esta frase foi apresentada aos Portugueses num documentário, feito para o Canal Arte, por Mariana Otero, sobre a SIC que na altura era, inexplicavelmente, líder das audiências.

Carrilho perdeu as eleições porque foi, politicamente, mais fraco do que Carmona Rodrigues. Retomando as palavras de Cunha Vaz, ao Expresso de 20 de Maio de 2006, "Por mais bonito que seja o embrulho, quando o produto não presta ninguém o compra" e que "numa sociedade mediatizada como a nossa, a mensagem é importante mas numa campanha tudo depende do candidato. Não há agência que lhe valha".

A regulamentação das agências de comunicação é necessária, mas relembre-se que "são os jornalistas que decidem sempre, mas mesmo sempre, o que é publicado ou não".

Obviamente que, as agências de comunicação, "só veiculam as mensagens que querem e lhes interessam. Tal como os políticos que só defendem as ideias que lhes interessam".

Por todo este texto, a regulamentação das agências de comunicação não iria evitar as críticas de Carrilho, exactamente porque ele iria perder as eleições na mesma.

Foi a derrota nas eleições para a Câmara de Lisboa que motivou o livro e não a regulamentação das agências de comunicação, como Carrilho fez passar no seu papel de eterno injustiçado das eleições autárquicas.

Sunday, May 27, 2007

Spinning Boris

O filme "Spinning Boris" é baseado numa história verídica que relata a vida de três consultores americanos que foram contratado para eleger Boris Yeltsin nas primeiras eleições democráticas na Rússia.

Num país diferente, com uma cultura diferente torna-se difícil, a estes consultores, implementar as suas tácticas, especialmente as campanhas negativas que são muito comuns nos EUA.

Depois de alguma resistência, a líder da campanha (filha de Yeltsin) concordou com a realização dos "truques Americanos", apelidando as tais campanhas negativas.

Deixo aqui alguns exemplos de campanhas negativas utilizadas no filme:

O primeiro exemplo de campanha negativa falada no filme foram os "pelotões da verdade". Consistia em enviar apoiantes de Yeltsin para o comício do candidato adversário para o vaiar. Os consultores deram como exemplo o "Chicken George", que era um indivíduo vestido de galo que foi enviado para os comícios de George Bush quando este concorreu às segundas eleições Presidenciais.

O segundo exemplo foi a de o candidato comunista tentar levar o país para a idade média, voltar às fronteiras antigas, nacionalizar a economia e perseguir os reformistas. Esta informação foi obtida através do imitador de Elvis e embora não se veja a acção realizada no filme, George Gorton enquanto "fala" com seu gravador diz que "era bom que houvesse uma fuga de informação e nós vamos ter de a fazer verter muito"

O terceiro exemplo é o do slogan "Mantenham a Rússia em segurança" que era exibido depois de um comercial televisivo, onde mostrava os comunistas a matar o povo russo em 1917.

O quarto exemplo é o da última sondagem. A sondagem foi "roubada" a Vasso (proprietário da peculiar empresa de sondagens) e foi publicada com uma alteração nos resultados que davam Yeltsin 20 ponto atrás do candidato comunista. Este último exemplo de campanha negativa foi feito pelo "Partido de Guerra" que queriam que as eleições fossem canceladas, com medo que Yeltsin perdesse.

Friday, May 25, 2007

Campanhas negativas na Internet

A Internet ainda não tem um papel fundamental na campanha política, como poderá vir a ter, e neste momento é quase sempre utilizada para espalhar rumores, denegrir o candidato oposto, mas do que promover o próprio.

Em Portugal apenas se verificou um caso de campanha negativa (O caso da alegada homossexualidade de José Sócrates), contudo noutros países, este tipo de campanhas, já vão sendo frequentes. Países como o Brasil e os Estados Unidos são pioneiros nestes tipos de campanhas negativas e a Internet tem ajudado à difusão de mensagens caluniosas sobre os candidatos adversários.

Um estudo, realizado pelo Centro de Altos Estudos de Propaganda e Marketing da ESPM, prova que nas últimas eleições presidenciais brasileiras "a Internet teve um papel especial na divulgação de campanhas negativas"

Fernando Barros, um publicitário Brasileiro, referiu que com a forte capacidade humana para a inovação e adaptação, a Internet poderá tornar-se "uma metralhadora nas mãos de um bocado de meninos", perante a força que esta terá na opinião pública mundial.

Raphael Perret, jornalista, afirma que a Internet poderá tornar-se ma ferramenta mais poderosa de uma campanha. Para ele "a Internet e todos os serviços nela disponíveis tornam-se ferramentas agressivas dentro de um campanha eleitoral".

"A próxima, e potencial mais previsível, zona de expansão na arte de campanhas negativas é a Internet"

Mas as campanhas negativas não se limitam apenas ao cenário político, as empresas estão a começar a aprender a utilizar a Internet para difamar, espalhar boatos e rumores sobre a empresa ou produto concorrente.

No primeiro encontro Luso-Galaico de Weblogs, Enrique Dans referiu que com a "liberdade bloguística, qualquer um pode fazer campanhas negativas, incluídos empresas sobre os seus concorrentes" e que "os motores de busca contribuem para o descontrolo da informação. Ao pesquisar pelo nome de um empresa encontramos a informação institucional, assim como a informação negativa"

No mesmo encontro, Enrique Dans disse também que um simples consumidor pode publicar uma queixa na Internet e esta não fica limitada a quatro paredes como acontecida anteriormente, dando com exemplo o problema que Jeff Jarvis com a Dell. Recorde-se que Jeff Jarvis é BuzzMachine, um dos bloggers mais lidos em todo mundo.

Mais um caso de campanha negativa foi o caso das Presidenciais no México, onde "a Internet está repleta de conotações negativas, críticas e ataques".

Saturday, May 12, 2007

Soundbites

Numa altura onde as campanhas eleitorais são cada vez mais sofisticadas, os soundbites são cada vez mais frequentes e mais poderosos. Sendo o soundbite uma pequena parte de um discurso, estes são colocados propositadamente para criar impacto nos média e assim chegar a todo o eleitorado.

O soundbite que aqui apresento foi proferido por George Herbert Walker Bush, na Convenção Nacional Republicana em 1988. George Bush era, na altura, Vice-Presidente dos EUA e candidato às eleições Presidenciais desse ano.

Com o défice orçamental que imperava na altura, nos EUA, muitos consideravam que o aumento dos impostos era a única solução para o reduzir, por isso, George Bush orientou toda a sua campanha para o não aumento dos impostos.

No discurso da Convenção Nacional Republicana, a frase "Read my lips: No new taxes", ficou gravada como uma dos mais poderosos soundbites da história das eleições Presidenciais Americanas.

"And I'm the one who will not raise taxes. My opponent now says he'll raise them as a last resort, or a third resort. But when a politician talks like that, you know that's one resort he'll be checking into. My opponent, my opponent won't rule out raising taxes. But I will. And The Congress will push me to raise taxes and I'll say no. And they'll push, and I'll say no, and they'll push again, and I'll say, to them, "Read my lips: no new taxes."

O discurso foi elaborado por Peggy Moonan, e embora muitos conselheiros de Bush achassem a frase demasiado forte, inclusive Richard Darman, conselheiro económico de Bush, que a apelidou de "stupid and dangerous"[Greene, John Robert. The Presidency of George Bush. Lawrence: University Press of Kansas, 2000, pag 37], o discurso manteve-se.

Embora não seja possível afirmar que foi o soundbite que fez Bush ganhar as eleições, o que é facto é que, nas sondagens, até ao discurso da Convenção Nacional Republicana, Bush estava consideravelmente atrás de Michael Dukakis, o candidato democrata.

Parque da Cidade como pseudo-acontecimento? (ACT)

O conceito do pseudo-acontecimento nasceu nos anos 60, pelas mãos de Daniel Joseph Boortin, quando escreveu o livro "The Image: A guide to Pseudo-events in America.


O pseudo-acontecimento é, basicamente, um acontecimento fabricado de forma a ter cobertura mediática, onde tem como objectivo fazer publicidade a algo ou alguém, ou desviar as atenções de um outro acontecimento.

Numa conferência, no ISLA de Vila Nova de Gaia, Custódio Oliveira, ex assessor de Fernando Gomes, relatou o pseudo-acontecimento do Parque da Cidade.

Segundo palavras de Custódio Oliveira, o "Parque da Cidade é filho do Buraco do Bom-Sucesso". Não bastando a "grande aldrabice que era o Shopping do Bom-Sucesso", que segundo o mesmo "não tinha licença nenhuma", Fernando Gomes, depois de ser questionado por um jornalista, fez um comentário que deu a entender que pretendia uma cidade de betão armado. Essa ideia da "Cidade de Betão" não sai dos média e havia a necessidade de fazer alguma coisa.

Soluções?

  1. Fernando Gomes deixa de falar aos jornalistas
  2. Arranjar algo que desviasse a atenção dos jornalistas, que contrariasse a ideia da "Cidade de Betão"

A solução encontrada foi o Parque da Cidade, que já estava projectado, mas de maneira diferente do que é hoje. A meio do parque passaria uma enorme avenida e iria existir construções na frente marítima, ideias imediatamente abandonadas. O Parque da Cidade teria de ser o coração da cidade do Porto, em termos de espaços verdes, para contrariar a ideia de que Fernando Gomes queria uma cidade de betão.

Para ajudar à divulgação foram feitas centenas de comunicações, incluindo várias viagens de helicóptero para levar os jornalistas a sobrevoar toda a gigantesca área do futuro Parque da Cidade.

Podemos, então, considerar o Parque da Cidade, tal como ele é, como um pseudo-acontecimento, inserido numa estratégia de comunicação?

Sim, o Parque de Cidade, tal como ele é hoje, foi uma manobra de ilusão, de forma a desviar as atenções da falta de licenciamento do "Bom-sucesso" e da ideia da "Cidade de Betão"

Monday, April 02, 2007

Factos Políticos

  1. “Foi invocando este preceito que o leitor J. B. César dirigiu ao provedor algumas críticas sobre o tratamento jornalístico, por parte do PÚBLICO, do conflito no País Basco entre a organização separatista ETA e o Estado espanhol. Diz: "Sob o ponto de vista de um jornalista do PÚBLICO, é ligeiro e denota juízos de valor preconcebidos classificar uma das partes da contenda de 'terrorista'. (...) Os pruridos dispensados a quem coloca bombas ou dispara tiros na nuca a adversários desarmados poderão soar a cinismo. (...) Mas do que aqui se fala é do tratamento noticioso que se está a dar a um facto político que, infelizmente, resvalou para a luta armada. E, nesse contexto, parece-me que (...) não deveria o jornalista de Madrid [Nuno Ribeiro] envolver-se em análises subjectivas de carácter pessoal (...) ou tomar partido por uma das bandas de um conflito".

  2. "Em vez de dar continuidade aos estudos que vinham sendo efectuados, o Governo preferiu ficar lembrado nesta matéria por uma iniciativa própria, nascida e criada no Ministério da Administração Interna, mal sustentada cientificamente mas de grande impacto mediático. A redução da Taxa de Álcool no Sangue (TAS) de 0,5 para 0,2 gramas por litro de sangue - e a sua negação uns meses depois - gerou um facto político, fortalecendo a crítica oposicionista da cedência aos "lobbies" e precipitando os socialistas para o "pântano"."

  3. "O Euro deve constituir-se em impulso de desenvolvimento e elemento de estabilidade. O início da circulação do Euro é um facto político e cívico da maior relevância. As mudanças estruturais tornam-se necessárias, um reformismo sério e consistente revela-se obrigatório. Não se pense, porém, que essa tendência pode resultar do mero voluntarismo. As sociedades europeia são chamadas à formação de consensos duráveis e à aceitação dos conflitos e das diferenças e da sua regulação. 2002 deve ser, por isso, um ano de obrigações acrescidas para todos, de rigor e de coesão, de convergência e de complementaridade. Saibamos aproveitar este elemento novo, para melhor nos mobilizarmos no sentido da recuperação económica..."

  4. "(...) verifico que, a propósito de quase nada, a silly season conseguiu produzir um aparente facto político.
    Trata-se do famigerado congresso da direita portuguesa, depois tratado como "Estados Gerais". Aos iludidos promotores parece bastar a ocorrência do evento. A substância da questão está manifestamente fora das suas intenções e preocupações.
    A convocatória seria do presidente do PND, mas, como ele próprio afirma, a título individual, visto que o seu partido ainda não decidiu se está à direita ou se está à esquerda."

  5. "Nogueira Pinto explicou aos jornalistas que a sua decisão se prende com o facto de não se rever no parecer do Conselho de Jurisdição do partido, que na sua opinião faz com que «130 conselheiros possam fazer letra morta de um requerimento subscrito por 1344 militantes».

    Para Nogueira Pinto, este é «um importante facto político», que abre «um gravíssimo precedente» e que põe em causa a própria democraticidade interna do partido"

Plano de Comunicação (ACT)

Ideias Chave - O dono de um negócio lucrativo é um Homem de causas.
Apoiar o desporto local, novamente; Apoiar todas as causa humanitárias na zona de Bragança; Apoiar iniciativas da Igreja Local; Apoiar a Associação de Doentes Obesos e Ex-Obesos

Público Alvo - Toda a população de Bragança. Os mais jovens para obter maior volume de negócio e os mais velhos par limpar a sua imagem.

Meios de difusão - Jornais e rádios locais; Publicação da Igreja local, se existir; Jornais escolares e nas próprias lojas do grupo de Fast-food.

Saturday, March 24, 2007

Estão os jornalistas nas "mãos" das fontes?

Diariamente assistimos a notícias fabricadas por poderes políticos ou por poder económicos que nos poderão levar a pensar que os jornalistas não passam de um veículo de transmissão entre os protagonistas e o público.

Será verdade?

Como escreveu Joaquim Fidalgo, em resposta a um leitor do jornal o Público, "Um político está no seu papel ao tentar convencer um jornal a cobrir um evento que protagoniza. E para isso actua directamente, recorre a assessores, contrata agências, seduz jornalistas... Tudo bem. Mas só conseguirá fazê-lo da maneira que deseja se, do outro lado, encontrar jornalistas distraídos, incompetentes ou venais, mais desejosos de o servir a ele do que ao público leitor, profissionais que se demitam do seu ofício. E qual é ele? É avaliar a pertinência do assunto por critérios jornalísticos e não outros, é ir ouvir outras partes envolvidas (mesmo que isso não interesse ao interessado...), é confirmar as informações junto de fontes distintas, é enquadrar os factos com elementos que ele próprio investigue, é dar iguais oportunidades a todos. Fazendo-o, está 'apenas' a evocar e a aplicar as "regras do jogo" do campo específico e autónomo que é o seu, recusando lógicas instrumentais às mãos de quem quer que seja. Não o fazendo, sim, arrisca-se a ser manipulado - e a manipular quem o lê."

Podemos depreender das palavras de Joaquim Fidalgo que um jornalista é manipulado se não fizer correctamente o trabalho jornalístico, nomeadamente verificar a veracidade da informação que lhe é fornecida pela fonte. Contudo, há quem defenda que é a pressão de obtenção de notícias que permite que os jornalistas sejam manipulados e que passem, para o público, informações que não foram devidamente confirmadas. Como podemos ler num texto, de Wilson da Costa Bueno, publicado no site da Associação Brasileira de Jornalismo Científico, "Acelaração do pocesso de produção jornalística que atropela a coleta e checaegm de informação" ou num texto de Jorge Pedro Sousa da Universidade Fernando Pessoa. "A instantaneidade põe em destaque o estreitar das deadlines, o que representa dificuldades acrescidas para o jornalista em termos de verificação da informação, contrastação de fontes, recuo, contexto e vitória sobre o tempo. A interactividade pode gerar pressões sobre os jornalistas e pode deixar o leitor frustrado quando não vê satisfeitas as suas eventuais solicitações de comunicação"

Perante este cenário de forte dependência das fontes, os jornalistas podem tornar-se apenas transmissores de mensagem pré-elaboradas de fontes que , normalmente, procuram os média para difusão de mensagem que lhes interessam, como explica o jornalista Lorenzo Gomis - "as fontes a que os jornalistas recorrem ou que procuram os jornalistas são fontes interessadas, quer dizer, estão implicadas e desenvolvem a sua actividade a partir de estratégias e de em tácticas bem determinadas. E se há notícias isso deve-se, em grande medida, ao facto de haver quem esteja interessado que certos factos sejam tornados públicos".

Posso dar como exemplo dois casos em que quem informou os público foram as fontes e não os jornalistas. Um deles é o célebre caso do arrastão na praia de Carcavelos, que foi noticiado como 500 jovens assaltaram e agrediram os banhistas, quando nunca foi provado ter acontecido, levando Diana Andringa a realizar um documentário que iria provar o mau papel que os média desempenharam neste caso específico.

O outro caso é o da jovem Sónia Moreira que fingiu ter ganho uma bolsa de estudo na Universidade de Oxford, e que todos os órgão de comunicação social noticiaram uma história que não era verdade. Neste caso, os jornalistas estiveram nas mãos das fontes, ninguém, excepto o jornal "Tal & Qual", foi capaz de confirmar a informação. Todos os jornalistas, por onde passou esta informação, aceitaram como dado adquirido, só mesmo um jornal que muitas vezes é considerado como sensacionalista (e com alguma razão) efectuou o verdadeiro trabalho jornalístico que é confirmar as informações.

Podemos então concluir que os jornalistas estão nas mãos das fontes? Muitas vezes estão por não fazerem o trabalho bem feito.

Tal como Estrela Serrano diz: "Se há manipulação feita por políticos é porque há jornalistas que consentem em deixarem-se manipular"

Friday, January 12, 2007

O vai e vem dos assessores

O vai e vem dos assessores, no meu ponto de vista, não só é condenável como o acho deselegante.

Sendo o jornalismo uma profissão baseada na isenção, como será possível um assessor de imprensa estar a “manipular” os seu anteriores colegas sobre determinado assunto e no dia seguinte estar, novamente, ao lado deles?

Obviamente alguns jornalistas (Que já foram assessores) podem afirmar que a imparcialidade mantém-se sempre porque são bons profissionais. Mas será que terão credibilidades, perante os públicos, de tratar de um caso do seu antigo patrão? E se for do oponente do antigo patrão? Obviamente a credibilidade será nula, não só do jornalista mas também do órgão de comunicação social adjacente.

Sou determinantemente contra este vai e vem, pela credibilização do jornalismo e pela afirmação de novos profissionais que são os assessores. Naturalmente os jornalistas são os melhores assessores porque eles sabem o que os media querem, como trabalham, etc. Fazendo uma analogia ao caso do Apito Dourado, seria a mesma situação que Pinto da Costa contratasse um qualquer juiz do Apito Dourado para seu defensor legal. Obviamente esse juiz imediatamente ficaria desacreditado por todos aqueles que seguem o caso.

Para além da credibilidade, que me parece ser o facto essencial da questão, o ex-assessor terá formas de recolha de informação privilegiadas o que o coloca num plano de desigualdade perante os seus colegas e poderá torna-lo mais sensível a “fretes” que poderão surgir dessa fonte. Isto não torna o jornalismo limpo.

Existindo esta grande incompatibilidade entre assessores e jornalistas penso que não deveria haver nenhum período de “nojo”, nem a possibilidade de trabalhar numa outra àrea editorial, mas sim uma impossibilidade de voltar ao jornalismo.

Partilho, portanto, a opinião do Dr Rui Cádima que o ideal seria desmotivar o retorno à profissão, no entanto discordo com o prof. João Paulo Meneses quando fala num bom início. Penso que é um fraco e demorado início para uma situação insustentável.

Wednesday, January 10, 2007

Aula 9 - Comunicação de Crise (Atentados de 11 de Março em Espanha)

A comunicação de crise, enquanto disciplina das relações públicas, será a disciplina mais difícil de ser treinada, porque uma crise pode vir de qualquer lado. Alguns autores defendem que só existem dois tipos de instituições ou empresas:

"As que ja tiveram uma crise e as que vão ter"

Mesmo não sendo possivel de prever, existem sempre duas formas de enfrentar uma crise:

-Mentir e desviar as atenções
-Enfrentar com sinceridade

Após os atentados de 11 de Março, Aznar iria mesmo perder as eleições, fosse qual fosse a estratégia utilizada.

Por um lado se Aznar afirmasse que tinha sido a Al-Qaeda, o povo iria castiga-lo por ele ter apoiado a ofensiva, Americana/Britânica, no Iraque. Caso afirmasse, como afirmou, que tinha sido a ETA a autora dos atentados, e fosse descoberta a verdade, como foi, perderia toda a credibilidade e acabaria por perder as eleições.

Em qualquer situação a mentira é sempre reprovável, mas em comunicação de crise uma das regras essenciais é:

"Não mentir porque a verdade vem sempre à superfície"

Mediante as opções acima descritas, Aznar e o seu Governo, optou por mentir e culpar a ETA na esperança de nunca ser descoberta a verdade dos factos.

Se Aznar tivesse contado a verdade, provavelmente, perderia as eleições mas não perderia a credibilidade, nem seria alvo de grandes manifestações acusando-o de mentiroso e traidor, nem seria acusado, pela esquerda e os nacionalistas espanhóis, de manipulação de informação.

Obviamente, o Governo de Aznar ainda se tentou defender apresentando documentos secretos que provavam que não tinha mentido, mas não convenceu a opinião pública.

Respondendo à pergunta proposta para este texto, Aznar não procedeu bem, embora talvez tivesse optado pela única alternativa que possuía para fugir à derrota nas eleições.

Saturday, January 06, 2007

Aula 8 - Press Release (ACT)

Por Favor consultar Press Release no sítio:

http://fernandocastro.com.sapo.pt/Press-release.htm

11/4/2007 - Actualização de contactos no final do Press release.